sexta-feira, 23 de abril de 2010

A Onda

Inspirado num caso ocorrido numa escola americana nos anos 60, o alemão ''A Onda'' parece ser um desses filmes milimetricamente construídos para meios didáticos. Professores (e aqueles facilmente impressionáveis) devem se deliciar com a história de um professor que decide propor um experimento de autocracia para seus alunos. Obviamente, as coisas acabam saindo do controle de todos.

O filme se revela tão quadradinho, clichê e didático que lá pela metade do film eu já tinha perdido o interesse pela história e pelos personagens. Temos o estudante 'esquisito', o valentão, o esportista, o bonitão, o riquinho mimado... enfim, todas aquelas figurinhas carimbadas de filmes escolares estão aqui.

Uma pena, porque a idéia era muito boa.

A Onda (Die Welle)
Cotação: Fraco



As Melhores Coisas do Mundo

Existe alguns filmes que te pegam de certa forma de tal jeito que fica até um pouco difícil de defendê-lo depois. ''As Melhores Coisas do Mundo'' me pegou no cinema e me acompanhou até em casa, martelando constantemente na minha cabeça. É um filmaço, sensível, real, com um elenco ótimo (com destaque para o protagonista Francisco Miguez) e muito bem dirigido.

E ainda tem o prazer de se ouvir uma maravilhosa música dos Beatles no cinema. Precisa pedir mais?

As Melhores Coisas do Mundo
Cotação: Excelente

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Caçador




É curioso esse filme de estréia do diretor Na Hong-jin que conta a história de um detetive que virou cafetão e tenta descobrir o que está causando o desaparecimento de suas garotas. Tem muito a ver com a nova onda do cinema sul coreano, lembrando em diversos momentos os superiores ''Memórias de um Assassino'' e ''Oldboy'' (até um martelo marca presença), com trama detetivesca e um humor meio fora de hora, porém engraçado. É interessante se notar como o diretor constrói a tensão do filme, colocando o assassino a maior parte do tempo ou preso na delegacia ou sob a custódia de policiais.

Os atores que interpretam o cafetão e o assassino, obviamente, obtém maior destaque, ambos com boas atuações, e a perseguição a pé logo no começo e a luta no final demonstra que houve dedicação da dupla; tudo parece muito real e traz um clima urgente que faz muito bem a obra.

Boa diversão pro tempo frio que anda fazendo.

O Caçador (The Chaser)
Cotação: Bom

sábado, 3 de abril de 2010

A Caixa





''A Caixa'' pertence a aquele certa classe de filmes que sabe exatamente o que é e o que quer mostrar ao espectador. Ao final da projeção temos mais dúvidas do que respostas e uma expressão de 'o que foi que eu acabei de assistir?'. Cortesia de Richard Kelly, que já havia feito dois outros filmes que acabam cobertos em mistérios e dúvidas (''Donnie Darko'' e ''Southland Tales''), ''A Caixa'' me conquistou justamente por que foi sincero. Kelly, também autor do roteiro, recria com muito sucesso o clima anos 70 e, apesar de alguns delizes, o filme é muito feliz em suas conclusões. Ajuda o fato de que a trilha, composta pelo grupo Arcade Fire, é fantástica e contribui muito com o clima do filme, assim como o elenco, com destaque para o sempre interessante Frank Langella.

Só me deixa um pouco curioso o que Kelly pensava quando decidiu escalar Cameron Diaz como protagonista. Fica claro que houve dedo do estúdio ali, já que Diaz está no tom errado o filme inteiro.

No final das contas, ''A Caixa'' é uma sci-fi bastante sem vergonha, mas sem nenhum medo de ser o que é. Gostei.

A Caixa (The Box)
Cotação: Bom


domingo, 28 de março de 2010

Half Nelson

Ainda sem distribuição no Brasil, ''Half Nel son'' é um filme esmagador com uma perfomance sensacional de Ryan Gosling. Dirigido por Ryan Fleck, o filme nunca tenta humanizar demais os personagens ou dar justificativas para seus problemas e vícios. O diálogo entre os personagens de Gosling e Anthony Mackie serve como perfeito exemplo disso; não há ali um discurso óbvio ou uma lição de moral, apenas dois personagens reais conversando. O trabalho de câmera também funciona nesse estilo, servindo apenas 'observando' os atores a uma certa distância.

Mas o grande show, aqui, é de Ryan Gosling. O ator, que recebeu uma indicação ao Oscar, brilha no filme, num papel difícil, que facilmente poderia cair numa caricatura não fosse sua total entrega ao personagem. É uma atuação sutil, muito mais calcada no olhar e na voz, assim como o filme, que aparenta ser apenas mais uma dramazinho indie mas acaba se revelando um filme maduro e muito bem realizado.

Half Nelson
Cotação: Excelente

domingo, 21 de março de 2010

O Livro de Eli



O mundo pós-apocaliptico já foi explorado diversas vezes no cinema, com particular sucesso na série ‘’Mad Max’’, e é o cenário de ‘’O Livro de Eli’’, novo filme de Denzel Washington.

O filme é dirigido pelos Irmãos Hughes, do fraco ''Do Inferno'', adaptação da brilhante HQ de Alan Moore, com Johnny Depp.

Seguindo a cartilha do gênero, ‘’O Livro de Eli’’ mostra um homem solitário, durão, mas de bom coração, que está numa missão: ele está indo a oeste, carregando a última bíblia do mundo. Obviamente ele não é o único que tem interesse no livro sagrado, já que o vilão Carnegie (interpretado pelo sempre bom Gary Oldman) também está atrás do objeto.

Apesar de se passar num futuro indefinido (o personagem de Denzel diz que 30 anos já se passaram desde a ‘guerra’), o clima é inteiramente tirado de westerns. Temos longos planos contemplativos mostrando a devastação e destruição causadas pela guerra, o próprio Eli é um personagem bastante inspirado no tipo ‘cavaleiro solitário’ que Clint Eastwood imortalizou nos filmes de Sergio Leone e até mesmo um ‘saloon’, que também, como na maioria dos westerns, serve de palco para uma briga.

O que mais me chamou a atenção foi o trabalho de fotografia do filme. A palheta totalmente cinza, com alguns flashes de luz, já é clichê do gênero.. Mas os longos takes nas cenas de ação me impressionaram bastante, principalmente em dois momentos: o primeiro encontro que Eli tem com um bando de bandidos embaixo de uma ponte, que acaba numa luta sangrenta em que só vemos as silhuetas dos personagens, e o tiroteio na casa do casal inglês em que câmera vai e volta por entre buracos de balas nas paredes. Não é muito comum para o gênero, principalmente com o sucesso da série Bourne e suas câmeras ‘na mão’, termos tomadas em que a ação seja vista de um ângulo um pouco mais distante e você consiga ver e entender os movimentos dos personagens, mas o filme escolhe justamente essa opção, o que acaba se revelando uma escolha muito boa. E o fato de que os irmãos escolheram rodar o filme com as câmeras digitais Red deixam o visual ainda mais realista.

Apesar de se achar um pouco mais importante e grandioso do que é (o roteiro confia demais que o público vai deixar de notar alguns erros e furos, além de alguns diálogos bastante fracos), ‘’O Livro de Eli’’ serve perfeitamente como 2 horas de bom entretenimento. O final ainda guarda algumas surpresas, que se não forem exatamente as mais bem feitas dos últimos tempos pelo menos não ficam no lugar comum. E qualquer filme que tenha Gary Oldman de vilão já vira um programa, no mínimo, um pouco mais prazeroso.


O Livro de Eli (The Book of Eli)
Cotação: Bom

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Batman - O Cavaleiro das Trevas



Eu me lembro quando vi a notícia de que Heath Ledger teria sido escalado por Christopher Nolan para ser o Coringa no novo filme do Batman. A primeira imagem que me veio a cabeça foram suas cenas mais ''fortes'' com Jake Gyllenhall em ''O Segredo de Brokeback Mountain''. Além, claro, do fato de que o Coringa de Jack Nicholson me vinha a cabeça como a interpretação definitiva do palhaço do crime. A primeira foto oficial do personagem (com uma cicatriz assustadora simulando o icônico sorriso) surgiu na internet, algumas de minhas descrenças já tinha ido pelo ralo. Ao ver os trailers, passei a ter certeza de que a interpretação de Heath tinha algo a mais. Mas então, devido a uma overdose acidental de pílulas para dormir, Heath Ledger morreu no início do ano e um certo ''buzz'' para sua póstuma indicação ao Oscar começou a ganhar força. Ao finalmente ver ''O Cavaleiro das Trevas'', acredito que certa empolgação tem motivo de ser.

Na continuação de ''Batman Begins'', Batman (Christian Bale), com a ajuda do Tenente Gordon (Gary Oldman) e do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), enfrenta o Coringa num intrigante jogo de gato-e-rato.

Apesar dos trailers, tv spot's, teaser, clips e qualquer outra peça promocional, o Coringa de Heath Ledger realmente assusta e surpreendente. Cada cena que envolve o personagem é uma supresa, já que ele parece estar sempre a um passo a frente de todos seus inimigos. As comparação a ''Fogo Contra Fogo'' não me parecem exageradas já que, além do filme ser um policial da mais alta qualidade, ainda estabeleçe uma relação inusitade entre Coringa e Batman: um só existe em função do outro. Como o próprio vilão diz: ''você me completa''.

Bale retorna no papel de Bruce Wayne. Com uma atuação pálida e pouco inspirada, se limitando a fazer a mesma cara de surpreso e/ou cansado de sempre, acaba sendo ofuscado por Ledge e, surpresa, Aaron Eckhart. O último, aliás, tem o personagem mais interessante do filme: o do promotor Harvey Dent. Incorruptível e obstinado em sua caça aos mafiosos que aterrorizam a cidade, Eckhart talvez seja o melhor ator do filme e eu também não reclamaria se ele conseguisse uma indicação ao careca dourado.

Michael Caine e Morgan Freeman retornam respectivamente como Alfred e Lucius Fox, mas, apesar de possuirem bons diálogos, tem pouca importância real no filme. Maggie Gyllenhall é outra boa adição ao elenco, substituindo Katie Holmes no papel de Rachel Dawes.

A edição, especialmente nas cenas de ação, melhorou bastante em relação ao seu antecessor. A perseguição ao comboio da SWAT é talvez a melhor cena de ação do ano.

Apesar de um pouco longo demais (2 horas e 30 minutos) e as vezes um pouco cansativo, exigindo demais atenção do espectador, ''O Cavaleiro das Trevas'' é um dos melhores filmes do ano.

O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)
Cotação: Excelente