terça-feira, 18 de maio de 2010

Homem de Ferro 2

''Homem de Ferro 2'' tinha uma tarefa díficil: superar seu antecessor, sucesso surpresa de 2008 que conquistou público e crítica. O reforço foi intenso (entram nessa sequencia Sam Rockwell, Scarlett Johansson, Mickey Rourke, além de uma participação maior de Samuel L. Jackson) e, apesar da confusão envolvendo a troca de Terrence Howard por Don Cheadle, o filme prometia bastante. Essas promessas foram cumpridas? Eu diria que, em sua maior parte, sim.

Robert Downey Jr. novamente comanda o show, mas quem mais me chamou a atenção foi Sam Rockwell. No papel de Justin Hammer, concorrente de Stark, Rockwell cria um personagem ambíguo, divertido, e, por vezes, ameaça ser mais interessante do que Downey Jr. Mickey Rourke, por outro lado, foi uma pequena decepção. Apesar da boa atuação do ator o roteiro o prejudica muito, dando pouco tempo para o desenvolvimento do personagem.

Roteiro esse que é o calcanhar de aquiles do filme. Escrito por Justin Theroux (que também é ator), o filme sofre do mesmo mal de, por exemplo, ''Homem Aranha 3'': tem muitos personagens. Mesmo com quase 2 horas e 10 minutos de projeção, ''Homem de Ferro 2'' ainda carece de um maior desenvolvimento dos personagens e tudo dá a impressão de ser uma grande introdução para o filmes dos Vingadores. Toda hora o super grupo é citado (Tony refere-se a ele, em certo momento, como uma ''super secret boy band''), e os personagens de Scarllet Johanson e Samuel L. Jackson parecem estar ali apenas para lembrar o espectador disso. Afinal de contas, é uma continuação das aventuras de Tony Stark ou um prequel dos Vingadores?

Há também quem reclame que o filme só tem duas grandes cenas de ação e isso é pouco para o gênero, mas aí eu já não concordo. Não adianta nada o filme ter 10 cenas de ação se elas não são eficientes, não é? E essas duas cenas são muito bem feitas. Em especial a de Mônaco, uma explosão de caos e câmera lenta.

''Homem de Ferro 2'' acabou sendo uma experiência um pouco ambígua. Enquanto tem grandes acertos (o elenco, obviamente, sendo o principal deles), o filme sofre com um roteiro indeciso e um pouco preguiçoso. Mas ainda assim, é uma experiência divertida e gostosa de se acompanhar.

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2)
Cotação: Bom

sábado, 15 de maio de 2010

Amargo Regresso

''Amargo Regresso'' é um filme que, claramente, envelheceu mal. A história do veterano de guerra paraplégico que se apaixona pela antiga colega de classe, agora casada, e com um militar, perdeu bastante de seu impacto.

Jon Voight e Jane Fonda ganharam o Oscar por seus papéis, apesar de estarem corretos. O grande trunfo do filme é o senso de direção de Hal Ashby, que deve ter extraido o máximo da película durante a montagem. Ashby era conhecido por passar horas na sala de montagem, e isso transparece na tela. O discurso de Voight na escola, intercalando com imagens de Fonda e de Bruce Dern, é um bom exemplo disso. A cena ganhou muito mais força e impacto com essa alternância de quadros. Destaque também para a ótima trilha sonora, com músicas dos Rolling Stones e dos Beatles.

Amargo Regresso (Coming Home)
Cotação: Bom

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A Onda

Inspirado num caso ocorrido numa escola americana nos anos 60, o alemão ''A Onda'' parece ser um desses filmes milimetricamente construídos para meios didáticos. Professores (e aqueles facilmente impressionáveis) devem se deliciar com a história de um professor que decide propor um experimento de autocracia para seus alunos. Obviamente, as coisas acabam saindo do controle de todos.

O filme se revela tão quadradinho, clichê e didático que lá pela metade do film eu já tinha perdido o interesse pela história e pelos personagens. Temos o estudante 'esquisito', o valentão, o esportista, o bonitão, o riquinho mimado... enfim, todas aquelas figurinhas carimbadas de filmes escolares estão aqui.

Uma pena, porque a idéia era muito boa.

A Onda (Die Welle)
Cotação: Fraco



As Melhores Coisas do Mundo

Existe alguns filmes que te pegam de certa forma de tal jeito que fica até um pouco difícil de defendê-lo depois. ''As Melhores Coisas do Mundo'' me pegou no cinema e me acompanhou até em casa, martelando constantemente na minha cabeça. É um filmaço, sensível, real, com um elenco ótimo (com destaque para o protagonista Francisco Miguez) e muito bem dirigido.

E ainda tem o prazer de se ouvir uma maravilhosa música dos Beatles no cinema. Precisa pedir mais?

As Melhores Coisas do Mundo
Cotação: Excelente

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Caçador




É curioso esse filme de estréia do diretor Na Hong-jin que conta a história de um detetive que virou cafetão e tenta descobrir o que está causando o desaparecimento de suas garotas. Tem muito a ver com a nova onda do cinema sul coreano, lembrando em diversos momentos os superiores ''Memórias de um Assassino'' e ''Oldboy'' (até um martelo marca presença), com trama detetivesca e um humor meio fora de hora, porém engraçado. É interessante se notar como o diretor constrói a tensão do filme, colocando o assassino a maior parte do tempo ou preso na delegacia ou sob a custódia de policiais.

Os atores que interpretam o cafetão e o assassino, obviamente, obtém maior destaque, ambos com boas atuações, e a perseguição a pé logo no começo e a luta no final demonstra que houve dedicação da dupla; tudo parece muito real e traz um clima urgente que faz muito bem a obra.

Boa diversão pro tempo frio que anda fazendo.

O Caçador (The Chaser)
Cotação: Bom

sábado, 3 de abril de 2010

A Caixa





''A Caixa'' pertence a aquele certa classe de filmes que sabe exatamente o que é e o que quer mostrar ao espectador. Ao final da projeção temos mais dúvidas do que respostas e uma expressão de 'o que foi que eu acabei de assistir?'. Cortesia de Richard Kelly, que já havia feito dois outros filmes que acabam cobertos em mistérios e dúvidas (''Donnie Darko'' e ''Southland Tales''), ''A Caixa'' me conquistou justamente por que foi sincero. Kelly, também autor do roteiro, recria com muito sucesso o clima anos 70 e, apesar de alguns delizes, o filme é muito feliz em suas conclusões. Ajuda o fato de que a trilha, composta pelo grupo Arcade Fire, é fantástica e contribui muito com o clima do filme, assim como o elenco, com destaque para o sempre interessante Frank Langella.

Só me deixa um pouco curioso o que Kelly pensava quando decidiu escalar Cameron Diaz como protagonista. Fica claro que houve dedo do estúdio ali, já que Diaz está no tom errado o filme inteiro.

No final das contas, ''A Caixa'' é uma sci-fi bastante sem vergonha, mas sem nenhum medo de ser o que é. Gostei.

A Caixa (The Box)
Cotação: Bom


domingo, 28 de março de 2010

Half Nelson

Ainda sem distribuição no Brasil, ''Half Nel son'' é um filme esmagador com uma perfomance sensacional de Ryan Gosling. Dirigido por Ryan Fleck, o filme nunca tenta humanizar demais os personagens ou dar justificativas para seus problemas e vícios. O diálogo entre os personagens de Gosling e Anthony Mackie serve como perfeito exemplo disso; não há ali um discurso óbvio ou uma lição de moral, apenas dois personagens reais conversando. O trabalho de câmera também funciona nesse estilo, servindo apenas 'observando' os atores a uma certa distância.

Mas o grande show, aqui, é de Ryan Gosling. O ator, que recebeu uma indicação ao Oscar, brilha no filme, num papel difícil, que facilmente poderia cair numa caricatura não fosse sua total entrega ao personagem. É uma atuação sutil, muito mais calcada no olhar e na voz, assim como o filme, que aparenta ser apenas mais uma dramazinho indie mas acaba se revelando um filme maduro e muito bem realizado.

Half Nelson
Cotação: Excelente